Olá pessoal, recebi um convite para escrever na coluna mensal, Pontos de Vista, do site Moto Off-Road e aceitei prontamente. O objetivo este mês é falar sobre o Campeonato Brasileiro de Enduro.

Num primeiro momento, decidi trazer os pontos de vista de pessoas que investem no Campeonato, os chefes das quatro principais equipes que estão disputando os títulos do Brasileiro de Enduro 2015, são elas: Honda Motofield, Honda Zanol Team, Orange BH e KTM Sacramento. A questão colocada a eles, foi: “O que pode melhorar no Campeonato Brasileiro de Enduro para atrair mais grandes equipes?”

De acordo com Henrique Nagao da Honda Motofield: “Para o Campeonato Brasileiro, seria bom uma Confederação mais atuante e uma cronometragem mais eficiente. Ressalta também que a Confederação Brasileira de Motociclismo - CBM, e as demais Federações precisam ajudar os organizadores de prova e melhorar a divulgação, investindo em retorno de mídia. Além disso, falta patrocínio para o campeonato brasileiro, das grandes marcas: Honda, Yamaha, Kawasaki, KTM, Motul, Mobil, Pirelli, Petrobrás, Ipiranga, etc.”

Para Felipe Zanol da equipe Honda Zanol Team: “O campeonato é um ciclo, uma boa divulgação e profissionalismo dos organizadores irão ajudá-lo a crescer, e consequêntemente as equipes irão aumentar. Uma boa divulgação atrai novas equipes, novos patrocinadores e contribuirá na formação de novos pilotos, trazendo assim novos investidores.” 

Já Carlos Augusto Constantino (Guto) da Orange BH, acredita que: “O primeiro passo seria os importadores e/ou distribuidores das marcas terem o espelho da Europa ( berço do enduro mundial), ou seja, investirem nas competições para ser uma de suas  vitrines. Investir em suas próprias equipes, mas também ajudar nos campeonatos. Posteriormente estruturar a divisão das competições. Um exemplo é o caso da Orange BH, além de toda a estrutura de box, dois mecânicos e um manager nas corridas, é importantíssimo ter um conjunto de patrocinadores que também nos dê suporte, não somente financeiro, como em produtos e serviços. Temos entre nossos apoiadores, por exemplo, uma academia e um fornecedor de produtos de nutrição esportiva; dessa maneira, garantimos que os pilotos tenham todo equipamento e suporte para que possam maximizar os resultados nas pistas. Outro ponto importante para o crescimento do Campeonato  passa por um projeto a médio prazo, nossos patrocinadores são movidos pelo desejo, não só do retorno financeiro, mas também de investir no esporte e nos atletas. Nosso planejamento para nossa equipe parte de um projeto de 3 anos, onde traçamos metas para cada um dos pilotos, para que possamos dar retornos maiores e de médio  prazo aos nossos patrocinadores.”

pontos de vista campeonato brasileiro de enduro por ronald santi

Por fim, Nielsen Bueno da KTM Sacramento relata: “Sou piloto de Enduro a quase 20 anos. Acompanhei desde o começo o Enduro FIM no Brasil. Já tivemos muitos altos e baixos no campeonato nacional. Durante anos e anos me questiono como e por onde podemos caminhar para fazer o crescimento da modalidade. Afinal o Enduro e o adepto do Enduro (trilheiro) é o que sustenta as empresas ligadas ao esporte. Todos os anos envolvido neste esporte, batalhando, ajudando organizadores com idéias novas, acredito que temos um campeonato nacional muito bom e forte. Se olharmos alguns anos atrás, nem equipe tínhamos. Na verdade tinha eu e o Zanol, mas lutávamos com o que tínhamos. Hoje está muito mais fortalecido, mas não é o ideal ainda. O Campeonato Nacional é um ótimo campeonato pois são as pessoas que tem paixão pelo esporte que mantém ele. São organizadores que se juntam e fazem uma excelente prova pelo amor ao esporte, com ajuda dos amigos, etc. Estamos no caminho certo. A maior mudança pra crescermos deve sair das fábricas e empresas que do meio, não há necessidade de criar uma receita gigante. Se todas empresas contribuissem um pouco, ajudaria muito. Mas para que? Se o mercado já consome sem precisar investir... Mas até quando os organizadores vão fazer por amor? Eu agradeço muito ao esporte duas rodas, cresci nele. Dediquei minha vida a ele e é o que amo fazer. Conheci o mundo, novas culturas e fiz muitos amigos. Gostaria que muitos pilotos tivessem essa oportunidade.”

Diante dos depoimentos desses quatro chefes de equipes, que estão muito bem inseridos e contextualizados com o Enduro Brasileiro, podemos perceber que ainda há muito a melhorar nos Campeonatos, mas as equipes seguem firmes em seus propósitos. Mais investimentos no setor certamente produzirá bons efeitos e contribuirá com maior profissionalização dos organizadores, equipes e pilotos. Estão todos numa travessia, será produtivo somar forças para trilharem novos caminhos.

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